Comissão tira acidente a caminho do trabalho e aprova MP antifraude

Governo cede, trabalhador vence

10/05/2019

 O governo federal conseguiu, nesta quinta-feira (9), fazer a MP (medida provisória) do pente-fino nos benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) avançar no Congresso.

O texto foi aprovado na comissão formada por deputados e senadores.

O Palácio do Planalto recuou e decidiu retirar a proposta de que acidente a caminho do trabalho não fosse assumido pela empresa.

A equipe econômica usou o relatório da MP, apresentado pelo deputado Paulo Martins (PSC-PR), na terça-feira (7), para incluir um artigo que isentaria as empresas em caso de acidente no percurso para o trabalho.

A legislação atual foi mantida. “É ponderado. [Isso] não tira a alma da medida provisória”, disse a líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP).

A equipe de Bolsonaro também cedeu na proposta de dificultar o acesso a benefícios previdenciários como auxílio-doença, salário-maternidade e aposentadoria por invalidez.

Em janeiro, quando editou a MP, o presidente endureceu regras para quem, depois de uma pausa de até 36 meses, voltar a contribuir. Isso teria efeito para aquelas pessoas que perderam emprego, foram para informalidade e, depois, conseguiriam voltar a contribuir para o INSS.

Pelo texto de Bolsonaro, esses trabalhadores precisam cumprir novamente toda a carência (exigência mínima de contribuições) para que possam receber o benefício pago a quem está temporariamente incapaz de trabalhar, quem se afasta por causa do nascimento de um filho ou doença.

Fica mantida a regra antiga: ao voltar ao INSS, o trabalhador precisaria cumprir metade da carência.

O governo teve dificuldade para aprovar a MP na comissão. Metade dos deputados e senadores do colegiado é do Norte e Nordeste, onde há grande concentração de trabalhadores rurais.

Parlamentares ligados a essa atividade e a sindicatos resistiram à mudança proposta no processo de pedido de aposentadoria rural. O governo, porém, venceu.

Por 15 votos a 7, ficou mantida essa parte do texto do governo Bolsonaro para que os sindicatos não sejam mais responsáveis pela comprovação da atividade rural.

A comprovação do exercício da atividade rural, após uma transição, passa a ser feita exclusivamente por inscrição nos órgãos do sistema do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), mantido pelo Ministério da Economia.

“Temos um ataque direto à região Nordeste quando você prejudica a aposentadoria rural. O ataque tem de ser na fraude, e não nos aposentados”, disse a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA).

Martins manteve os principais pontos do programa de análise de benefícios do INSS com indícios de irregularidade e o endurecimento nos critérios para recebimento do auxílio-reclusão, benefício pago a parentes do trabalhador que for preso.

O deputado, no entanto, excluiu o trecho -apresentado por Bolsonaro- que obriga idosos carentes e deficientes a abrirem mão do sigilo bancário ao pedirem o BPC (benefício assistencial de R$ 998).

Martins derrubou ainda a proposta de criar um prazo de seis meses após parto ou adoção para que seja pedido o salário-maternidade. Volta a regra antiga: até cinco anos após o nascimento do bebê ou da adoção.

O relatou, porém, voltou atrás e decidiu manter a possibilidade de penhora de bens para pagar dívidas em caso de fraude ao INSS.

A MP precisa ser aprovada até o dia 3 de junho nas duas Casas. O governo espera uma economia de cerca de R$ 10 bilhões em 12 meses.

(Fonte: Jornal do Brasil)

Compartilhar

Veja também

KLL – B – DIURNO é a grande vencedora da Copa Stimepa de Futebol Sete

Conselho de Sindicatos planeja campanha salarial e debate os desafios econômicos. Reunião contou com apresentação do economista do Dieese que apresentou dados sobre inflação e impacto no custo de vida, enquanto advogadas da Federação ressaltaram a importância da Convenção Coletiva para garantir direitos.

Metalúrgicos da Delga de São Leopoldo aprovam proposta de suspensão dos trabalhos por dois meses sem perda salarial

Assembleia vai definir delegados para congresso eleitoral da Federação dos Metalúrgicos