Trabalhadores da Viemar rejeitam tentativa de retomada da proposta sobre intervalo e Sindicato levará caso ao Ministério Público

Os trabalhadores da Viemar decidiram, em assembleia realizada nos dias 20 e 21 de maio, rejeitar a tentativa de retomada da proposta da empresa que previa a redução de 20 minutos no horário de intervalo diário em troca de uma folga em um sábado por mês.

A proposta já havia sido rejeitada anteriormente, em votação realizada no dia 27 de março, quando a maioria dos trabalhadores se posicionou contra a medida. Mesmo após a decisão da categoria, a empresa manteve sua posição e segue sem apresentar uma nova proposta que contemple os interesses dos trabalhadores.

Na assembleia desta semana, os trabalhadores reafirmaram sua posição contrária à redução do intervalo e também rejeitaram a tentativa de reabrir uma discussão já decidida pela categoria.

A movimentação da empresa acontece em um momento em que cresce em todo o país a mobilização pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial. Enquanto trabalhadores defendem melhores condições de vida e descanso, setores patronais seguem pressionando contra mudanças na jornada.

Segundo dirigentes sindicais, o caso agora será levado ao Ministério Público do Trabalho para abertura de mediação. “Amanhã nós estamos entrando então com um pedido de mediação e nós vamos lá na mesa de negociação no Ministério Público do Trabalho falar do formato que eles estão fazendo da proposta aqui, que essa empresa trabalhava no 5×2, fizeram a jornada espanhola e descumpriram o acordo. Os trabalhadores recusaram e eles querem voltar novamente, empurrar goela abaixo, que os trabalhadores percam o momento do seu descanso”, afirmou Marcelo Nascimento, diretor responsável pela região da Viemar.

Marcelo também destacou que a empresa será chamada para negociação formal no Ministério Público do Trabalho. “A empresa vai ser intimada pra isso e nós vamos lá negociar. Lá nós vamos ter uma ata disso que a empresa está fazendo aqui com vocês.”

O trabalhador da empresa e dirigente sindical Célio Oliveira da Silveira também relatou a realidade enfrentada pelos funcionários dentro da fábrica. “A vida da gente aqui na Viemar nunca foi muito fácil. Sempre nessa vida aí de cobrança excessiva de produção, cobrando sempre o peão…”

Debate sobre jornada e escala 6×1 ganha força

Durante a assembleia, dirigentes sindicais também relacionaram a situação enfrentada pelos trabalhadores da Viemar ao debate nacional sobre o fim da escala 6×1.

O secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre, Diego Cardoso, criticou a falta de avanço nas negociações da campanha salarial deste ano. “A gente sente que eles não têm vontade de avançar nas negociações. Todo ano eles colocam ali a questão das dificuldades das empresas, assim como nós colocamos as dificuldades dos trabalhadores.”

Marcelo Nascimento também defendeu a redução da jornada de trabalho e criticou a postura da empresa em manter os trabalhadores na escala 6×1 sem apresentar alternativas que atendam às reivindicações da categoria. “Nós queremos mais qualidade de vida, nós queremos ver nossos filhos crescerem, nós queremos nos qualificar pro mercado de trabalho. A gente não quer ficar como aqui na Viemar, que os trabalhadores não têm nem tempo sequer de comer um churrasquinho com a família.”

Ele ainda reforçou a importância da organização da classe trabalhadora.

“Somos nós que geramos a riqueza desse país, somos nós que enriquecemos a Viemar, são os trabalhadores fazendo as peças ali todos os dias. E aí a empresa vai lá na Fiergs meter pressão pra retirar direitos dos trabalhadores. Isso não pode acontecer.”

Categoria reafirma posição

Ao rejeitar a tentativa de retomada da proposta patronal, os trabalhadores da Viemar reafirmaram sua posição contrária à redução do intervalo e demonstraram resistência diante da postura da empresa, que segue sem apresentar uma nova proposta e mantém os trabalhadores na escala 6×1.

O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre informou que seguirá acompanhando o caso e cobrando avanços nas negociações, além de denunciar práticas que representem retirada de direitos ou aumento da sobrecarga sobre os trabalhadores.

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