Na última sexta-feira (27), os trabalhadores da Viemar rejeitaram por ampla maioria a proposta apresentada pela empresa que previa reduzir em 20 minutos o horário de intervalo diário em troca de uma folga em um sábado por mês. A votação, acompanhada pelo Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre, confirmou a posição da categoria: mais de 60% dos trabalhadores votaram contra a proposta.
A iniciativa da empresa ocorre no mesmo momento em que o setor patronal pressiona, em Brasília, para barrar o projeto que prevê o fim da escala 6×1. Assim como na Câmara dos Deputados onde a bancada patronal atua para impedir avanços, dentro das fábricas há uma tentativa de desmobilizar os trabalhadores com propostas que parecem vantajosas, mas que, na prática, reduzem direitos e aumentam a sobrecarga de trabalho.

Fim do acordo antigo e nova tentativa de retirada de direitos
A proposta surge após o fim do acordo firmado entre o Sindicato e a Viemar em 2023 — acordo que, na época, contou com mediação do Ministério Público. Naquele período, a empresa decidiu acabar com o modelo de escala espanhola, no qual os trabalhadores atuavam em dois sábados intercalados por mês, para implantar o 6×1. Em contrapartida, os trabalhadores receberam um abono e aprovaram a proposta.
Agora, três anos depois, a direção da Viemar tenta apresentar uma nova mudança com menos intervalo e manutenção da lógica de trabalho aos sábados, afetando diretamente a saúde, o descanso e o convívio familiar dos trabalhadores.

Mobilização crescente pelo fim do 6×1
A rejeição expressiva da proposta também demonstra o fortalecimento da mobilização dentro da fábrica. No último 20 de março, os metalúrgicos, junto ao sindicato, estenderam faixas em frente à Viemar reivindicando o fim da escala 6×1.

Sindicato seguirá ao lado da categoria
O Sindicato reforça que estará presente em todas as negociações, sempre priorizando a saúde, o descanso e a qualidade de vida dos trabalhadores. A entidade destaca que qualquer mudança na jornada deve ampliar direitos — nunca reduzi-los.
Além disso, é importante lembrar que neste ano a Campanha Salarial tem como objetivos centrais não apenas a recomposição e o aumento real dos salários, mas também a luta pelo fim definitivo da escala 6×1, uma pauta histórica da categoria metalúrgica.
