Segurança e soberania alimentar

Lideranças de Estado e de governo, autoridades e representantes da sociedade civil de todo o mundo participaram na semana passada em Roma, Itália, da 36ª Sessão do Comitê de Segurança Alimentar da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação).

O encontro aconteceu em meio às celebrações pela passagem do Dia Mundial da Alimentação, lembrado no dia 16 de outubro. O Brasil esteve representado por integrantes do governo e da sociedade civil do Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional).

A reunião que acontece todos os anos teve como objetivo debater as experiências e dar encaminhamentos as proposições no que tange a segurança alimentar. De acordo com os dados da FAO, o número de pessoas que passam fome no mundo chegou a 1 bilhão em 2009. O dado é assustador, principalmente porque três quartos desses famintos do mundo estão no meio rural. Segundo a entidade, a produção de alimentos terá de aumentar 70% para sustentar a população que o mundo terá em 2050, estimada em 9 bilhões de pessoas.

Se no mundo a situação é alarmante, no Brasil há um cenário mais otimista. De acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômico Aplicada (Ipea), desde 2003, mais de 27 milhões de brasileiros ultrapassaram a linha de extrema pobreza, superando o primeiro e principal Objetivo de Desenvolvimento do Milênio, que estipulou como meta para o mundo erradicar a fome e reduzir pela metade, até 2015, a extrema pobreza registrada em 1990.

De acordo com Elisângela Araújo, diretora executiva da CUT, presente a atividade, estes avanços conquistados no Brasil se devem muito as políticas sociais adotadas pelo governo, como por exemplo, os Programas Fome Zero, de Aquisição de Alimentos e de Alimentação Escolar, que asseguram às famílias transferência de renda e o direito à alimentação. Outro fator a ser destacado é a maior abertura para a participação da sociedade civil na discussão e elaboração de políticas públicas que visem a produção alimentar e o combate à fome e à pobreza”, argumenta Elisângela.

Apesar dos números positivos, a dirigente CUTista alerta que ainda há muito no que se avançar. “O fortalecimento da agricultura familiar será de extrema importância no que diz respeito a segurança e soberania alimentar. Essa resolução passa pelo acesso a terra para produção, crédito e assistência técnica, política de preços, valorização do nosso produto que garantam a produção sustentável e o acesso aos alimentos em quantidade suficiente.”

Além da dirigente da CUT, a reunião também contou com a participação da vice-presidente da Contag e secretária geral da Coprofam, Alessandra Lunas. Ela chamou a atenção para a importância da  integração entre as organizações que tratam da segurança alimentar “para que aquelas que vão compor o Conselho de Segurança Alimentar tenham um diálogo mais efetivo, garantindo o debate da segurança alimentar, o combate a fome e o abastecimento. Vale destacar que a participação da sociedade civil neste Conselho foi uma grande vitória dos movimentos.”

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