Porto Alegre foi a única capital a parar 100% dos ônibus

Oito mil motoristas e cobradores aderiram em massa ao movimento

12/07/2013

O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre, Júlio Pires, até tentou convencer a categoria a cumprir uma liminar da Justiça do Trabalho que determinava a circulação de 50% da frota de ônibus nos horários de pico e de 30% nos demais períodos no Dia Nacional de Luta, ontem. Não adiantou. Puxados pela própria Força Sindical, à qual a entidade é filiada, de um lado, e pelo grupo de oposição liderado pela CUT, de outro, 8 mil motoristas e cobradores aderiram em massa ao movimento, atropelaram a direção do sindicato e nenhum veículo saiu às ruas durante todo o dia.

Pires, que foi motorista em Porto Alegre durante 23 anos e foi eleito vereador pelo PMDB em 2012 no município vizinho de Alvorada, disse que a adesão maciça foi resultado do engajamento dos trabalhadores na luta por pautas específicas, como a jornada de seis horas diárias, e gerais, como o fim do fator previdenciário. Apesar de defender no início do dia o cumprimento da liminar, ele reconheceu que não fez “muita questão” de manter a posição quando viu que os rodoviários estavam dispostos a parar “por conta”.

Um dos coordenadores da oposição, o motorista Luiz Afonso Martins, da CUT, porém, disse que a paralisação foi estimulada pela revolta dos rodoviários contra o “poder esmagador” da Força Sindical. Segundo ele, que defende a encampação das empresas de ônibus pela prefeitura e a implantação do passe livre para estudantes, idosos e desempregados, os oposicionistas fizeram assembleias na quarta-feira para organizar a participação no Dia Nacional de Luta e garantir que nenhum ônibus circulasse.
Com a briga interna instalada, o presidente estadual da Força, Cláudio Janta, que é vereador em Porto Alegre pelo PDT e próximo do presidente nacional da central, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), decidiu intervir e evitar que a oposição ganhasse terreno diante da hesitação da direção do sindicato. Na madrugada de ontem, durante as manifestações e os piquetes em frente às garagens das empresas de ônibus, ele próprio tratou de convencer Pires a abandonar a ideia de colocar parte da frota na rua.
“Estávamos organizando o movimento há duas semanas”, afirmou Janta. “A greve [nacional] foi chamada pelas centrais, não pelos sindicatos, e foi a Força que distribuiu os panfletos [entre os rodoviários] em nome de um objetivo maior. A categoria entendeu isso. Eles [direção e oposição] que resolvam as pendengas deles”, disse. Se o sindicato for multado por descumprir a decisão judicial e não tiver condições de pagar, a central assume a conta, acrescentou.


Fonte: Valor Econômico

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