ONU: Desempenho fraco de economias emergentes, como o Brasil, causa desaceleração do crescimento mundial

Cenário de recessão do Brasil vai perdurar até o próximo ano, em que a economia deve se contrair em 0,8%

11/12/2015

O relatório Situação Econômica Mundial e Perspectivas 2016, lançado na quinta-feira (10/12), destacou que o fraco desempenho da economia de países em desenvolvimento, como o Brasil, tem desacelerado o crescimento mundial. A publicação avalia o contexto atual e prevê tendências socioeconômicas para 2016. Segundo a ONU, estima-se que, em 2015, o Brasil terá uma retração de 2,8% das suas atividades econômicas. O cenário de recessão vai perdurar até o próximo ano, em que a economia deve se contrair em 0,8%.

O documento, produzido pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (UN/DESA), em parceria com a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), as cinco comissões regionais da ONU e a Organização Mundial do Turismo (OMT), descreve como “persistentemente fracas” as performances econômicas de países emergentes como o Brasil e a Rússia. O Brasil, por exemplo, só voltará a crescer em 2017, com taxas estimadas em 2,7%.

Entre as economias em desenvolvimento e de transição, o relatório identificou, em 2015, o menor ritmo de crescimento desde a crise financeira global de 2008/2009. A desaceleração é devido à queda do valor das commodities, à instabilidade dos mercados financeiros e à evasão de capitais. Desde julho de 2014, o preço das commodities teve uma queda de 20,6%, de acordo com o relatório.

No mundo, o crescimento econômico apresentará elevações modestas nos próximos dois anos. A expansão das atividades socioeconômicas está estimada em 2,4%, para 2015, 2,9%, para 2016, e 3,2%, para 2017. As previsões positivas levam em conta a normalização antecipada da política monetária dos Estados Unidos, o que deve estabilizar os mercados.

O UN/DESA ressaltou, porém, que diferentes tendências não estão a favor da economia mundial. Entre elas, incertezas macroeconômicas duradouras, a volatilidade das taxas de câmbio e dos fluxos de investimento, a estagnação da produtividade, a redução do comércio e o descompasso entre a especulação financeira e as atividades de setores reais.

O atual ciclo de crescimento modesto tem impactado os mercados de trabalho, segundo o UN/DESA, provocando o aumento do desemprego na América do Sul e também a precarização das condições de produção. Por conta da baixa elevação dos salários e da redução do preço de algumas mercadorias, a inflação global atingiu o menor patamar desde 2009.

Fonte: Portal Democracia e Mundo do Trabalho

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