A diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre realizou assembleias nas entradas dos três turnos da GKN. O foco principal das atividades foi a Campanha Salarial, além de pautas fundamentais como o fim da escala 6×1, as novas regras da aposentadoria especial e a necessidade de fortalecer a mobilização da categoria nas fábricas. O recado dos trabalhadores e da direção do Sindicato foi que as perdas da inflação precisam ser repostas integralmente e com aumento real.
Patrões querem parcelar reajuste e Sindicato exige aumento real
Durante as atividades, o presidente do STIMEPA, Adriano Filippetto, criticou duramente a postura da bancada patronal nas mesas de negociação. Enquanto as empresas registram alta na produção e lucros crescentes, tentam empurrar propostas que parcelam a inflação e prejudicam o bolso do trabalhador. Filippetto afirmou que a categoria não vai aceitar esse parcelamento e exige a valorização imediata com aumento real e o fim da escala 6×1.
Para o presidente, o histórico de lutas dos metalúrgicos da GKN serve como exemplo para o momento atual. Ele relembrou que as grandes conquistas da fábrica só vieram quando a base se uniu, destacando que é a pressão e a mobilização dos trabalhadores que de fato fazem a mesa de negociações avançar e os patrões cederem.

Vale-Alimentação e a venda para a Dauch
O diretor sindical do STIMEPA e trabalhador da GKN, Luís Claiton Trindade, desmistificou a narrativa que a chefia tenta espalhar sobre o vale-alimentação. A gestão da empresa vem tentando culpar o Sindicato por um limitador salarial que ela mesma criou para excluir do benefício os trabalhadores que ganham um pouco mais. Luís explicou que a empresa tenta colocar o Sindicato e os trabalhadores em lados opostos, mas a responsabilidade por essa exclusão é inteiramente da própria gestão.
O dirigente também criticou a falta de melhorias concretas para os trabalhadores após a venda bilionária da fábrica para o grupo Dauch. Até o momento, mesmo com a transição financeira da empresa, quem está no chão de fábrica não viu nenhum tipo de retorno ou valorização.

Luta pelo fim da escala 6×1 e pressão no Senado
A redução da jornada de trabalho sem redução salarial ganhou destaque nas falas do diretor sindical responsável pela região Norte de Porto Alegre, Adilson Tavares. Ele convocou os metalúrgicos a manterem a pressão firme sobre os parlamentares no Senado para garantir o avanço dessa pauta histórica da classe trabalhadora. Segundo Adilson, o fim da escala 6×1 é uma reivindicação mais do que justa e a mobilização constante é o único caminho para transformar esse projeto em realidade.

Esclarecimento sobre a idade mínima na Aposentadoria Especial
Os diretores também aproveitaram o espaço para esclarecer dúvidas frequentes sobre as recentes mudanças na aposentadoria especial após decisão do Supremo Tribunal Federal. O presidente Adriano Filippetto explicou que o STF retirou a exigência da idade mínima, que era de 65 anos. No entanto, ele alertou que as regras não voltaram a ser exatamente como eram antes da reforma, pois apenas o critério da idade caiu, enquanto as demais exigências de transição e comprovação continuam valendo.

Próximos passos da rodada de negociação
Os sindicatos dos metalúrgicos do Rio Grande do Sul voltam a sentar com o sindicato patronal para uma nova rodada de negociações no próximo dia 18. A expectativa é que as empresas tentem usar o debate sobre a escala 6×1 como uma espécie de escudo para negar o aumento real de salário. O STIMEPA reforça que manterá sua postura firme e não cederá a propostas absurdas de reajuste.
A mobilização continua forte em toda a base e, ainda nesta semana, o Sindicato realiza assembleias com os trabalhadores da Nexteer e da Soluções Usiminas para unificar a categoria na luta por direitos.