“Não tem nenhum risco de alguém fechar o negócio por conta de uma redução de 4 horas de jornada de trabalho. É um absurdo esse tipo de afirmação”, defende Claudir Nespolo, superintende do Ministério do Trabalho

Com o fim da escala 6×1 cada vez mais próximo, o ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre (STIMEPA) e atual superintende do Ministério do Trabalho no Rio Grande do Sul, Claudir Nespolo falou como a jornada já foi reduzida anteriormente, trazendo benefícios tanto para os trabalhadores quanto para as empresas. O superintendente relembrou que em 88, quando ocorreu a redução de 48 para 44 horas, a aplicação foi rápida e tranquila. “Aumentou significativamente o emprego, mas era a mesma conversa de que ia quebrar as empresas e gerar desemprego”, comparou com a situação atual.

Agora, quase 40 anos depois, com as empresas aumentando a produtividade através de implementação de novas tecnologias, Claudir afirma que o impacto da mão de obra na folha de pagamento fica entre 5 a 8% na maioria das empresas. Desta forma, a redução de jornada sem redução de salário não apresentaria um risco para os empresários, que continuariam lucrando enquanto mais pessoas buscariam pelas vagas.

“Não tem nenhum risco de alguém fechar o negócio por conta de uma redução de 4 horas de jornada de trabalho. É um absurdo esse tipo de afirmação. Eles sabem disso. O fim da 6×1 e a redução de horas vai permitir que muito mais gente que não dispõe a trabalhar por conta da jornada e das folgas em meio de semana, veja as vagas de forma mais atrativas.”

Nespolo ainda ressalta o impacto econômico positivo que mais dias de folga e menos tempo de trabalho podem causar. “Serão mais pessoas no turismo, em restaurantes, em passeios, com mais tempo para se qualificar”. Trata-se de pauta “ganha-ganha”, em que trabalhadores e empresas irão ser impactados positivamente pela mudança.

Claudir termina ressaltando como o Brasil ainda tem a servidão presente em suas relações de trabalho. Ele compara que dois anos antes da abolição da escravidão no Brasil, operários estadunidenses já lutavam pela redução de jornada para 40h semanais no país. “É por isso que esse terrorismo contra a redução de jornada ainda continua. Mas nós vamos aprovar, e vai ser bom para todo mundo.”

Uma luta antiga do Sindicato

Claudir participa da luta sindical desde 1977, e atuou em diferentes mobilizações e campanhas salariais que lutavam também pela redução de jornada. Durante a entrevista ele relembrou da greve geral de 1996, motivada pela redução de jornada, como forma de ampliar os empregos e trazer melhores condições de trabalho para os operários.

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