Não se engane! Estão querendo fazer de patos os trabalhadores e trabalhadoras

.

06/04/2016

José Cruz / Agência Brasil

A classe patronal brasileira intensificou nas últimas semanas a campanha “Chega de Pagar o Pato”

 A classe patronal brasileira – especialmente os patrões encastelados na maior federação dos patrões, a Fiesp – intensificou nas últimas semanas a campanha “Chega de Pagar o Pato”, criada no ano passado para supostamente combater o “aumento de impostos” proposto pelo governo federal.

Com o dinheiro do Sistema S, recursos públicos que deveriam ser investidos na formação da classe trabalhadora, a Fiesp mandou confeccionar e distribuir patos gigantescos de plástico em várias capitais, especialmente em Brasília e São Paulo, centros político e financeiro do país, para protestar contra a volta da CPMF e, de lambuja, desgastar um pouco mais o governo Dilma com o argumento de que a presidenta é responsável pela retração da economia, pela corrupção e tudo de ruim que hoje acontece no país.

Não se engane! Se os patrões quisessem de fato protestar contra o aumento de impostos teriam feito fortes mobilizações em relação aos recentes aumentos do ICMS enfiados goela a baixo por Geraldo Alckmin (PSDB-SP) e José Ivo Sartori (PMDB-RS), entre outros governos, por exemplo. Não deram um pio sequer.

Não se engane! Se os patrões quisessem de fato protestar contra a corrupção, fariam campanha pra afastar e prender os empresários envolvidos nos outros rumorosos casos de corrupção pouco divulgados pela grande mídia porque envolvem empresas e pessoas “graúdas”, como:

– o Suiçalão, escândalo de sonegação que envolve 100 mil contas bancárias ilegais (8.667 contas de brasileiros ricaços), que movimentaram no HSBC da Suíça mais de US$ 100 bilhões;
– a Operação Zelotes, esquema que causou o sumiço de débitos tributários, uma forma de desfalcar os cofres públicos, envolvendo bancos e grandes empresas, como as gaúchas RBS e Gerdau;
– o “Panamá Papers”, escândalo recentemente denunciado pelo Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo, que expõe centenas de empresários e políticos de pelo menos sete partidos (PDT, PMDB, PP, PSB, PSD, PSDB e PTB), que possuem contas em empresas offshores no exterior abertas pela companhia panamenha Mossack Fonseca, especializada em camuflar ativos usando companhias sediadas em paraísos fiscais.

Não se engane! Se a Fiesp e outras entidades patronais aderiram escancaradamente ao golpe, pregando o impeachment de Dilma sem ela ter cometido nenhum ato de corrupção ou concreto crime de responsabilidade, é porque estão interessadas não apenas em evitar a aprovação de 0,2% da CPMF, mas levar à frente o plano de retirar ou flexibilizar inúmeros direitos trabalhistas e sociais. Com Dilma fora da presidência, os patrões e os deputados e senadores que foram eleitos por meio do financiamento empresarial de campanha estariam com o caminho livre para aprovar sem veto presidencial os 55 projetos que hoje atentam contra a classe trabalhadora no Congresso Nacional.

Entre estes projetos estão uma reforma trabalhista pra aniquilar com a CLT, a venda da Petrobras e outras estatais, a liberação do Pré-sal para a exploração das grandes petroleiras internacionais e a retirada de recursos previstos para a educação e saúde. Não é à toa que o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, conclamou na maior cara-de-pau que todos os líderes empresariais atuem junto às bancadas de deputados federais e senadores para dar celeridade ao processo de impeachment.

Não se engane! Eles querem que a classe trabalhadora pague ainda mais o pato. Quem mais paga imposto no Brasil é o pobre e quem vai mais sofrer com a retirada de direitos é a classe trabalhadora. Os empresários não suportam os governos populares porque estes combatem de fato a corrupção, basta ver os mecanismos que foram criados nos últimos anos para a Polícia Federal e o Ministério Público atuarem com liberdade e o número de empresários denunciados e presos.

Eles querem é ficar cada vez mais ricos e poderosos, querem voltar ao tempo em que pobre não podia ter emprego e moradia dignas, não podia ter benefícios sociais e crédito para montar seu próprio negócio, enfim, ter um carro na garagem, viajar de avião nas férias e ter um filho estudando em universidade pública.

Compartilhar

Veja também

Terceirizados da Refap conquistam acordo e encerram greve de 11 dias

Os terceirizados da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas (RS), conquistaram uma proposta de acordo com avanços encaminhada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4), que foi aprovada por ampla maioria na assembleia

Plebiscito Popular promove mutirão nacional pelo fim da escala 6×1 na próxima semana

Mensalão tucano não tem prisões, delações nem sentenças