Metalúrgicos solicitam participação nos debates sobre desoneração da folha

Dirigentes da CNM/CUT articulam junto ao Ministério da Fazenda para que debate leve em consideração a avaliação dos trabalhadores

A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) tem dialogado com o Ministério da Fazenda para que os trabalhadores participem dos debates sobre a desoneração da folha de pagamento, dentro da alçada da reforma tributária.

O tema voltará a ser discutido esta semana pelo Senado, após a aprovação pela Câmara dos Deputados, no final de agosto, do projeto que prorroga a desoneração da folha de pagamento para 17 setores da economia. Este projeto, PL 334/23, prorroga a desoneração até 31 de dezembro de 2027 e altera a Lei 12.546/11, que prevê o benefício somente até o final deste ano.

“O tema está sendo debatido em Brasília a partir de um projeto de iniciativa do Congresso e, pelo texto que está sendo discutido, não há contrapartida social e nem a visão dos trabalhadores e trabalhadoras, o que traz problemas para a discussão futura sobre uma reforma que garanta emprego, renda e a sustentação da previdência”, afirma o presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira.

Para a entidade, a desoneração da contribuição sobre a folha de pagamento é uma possibilidade para incentivar a produção nacional, porém ela é apenas um dos elementos inseridos dentro de um conjunto de vários outros considerados para uma política de retomada industrial.

O presidente da CNM/CUT reforça que o tema vai exigir mobilização de toda a categoria para pressionar o Congresso e empresários a entenderem que a desoneração da folha não pode servir apenas como ferramenta para aliviar custo das empresas e que ela deve estar incluída dentro de um contexto maior onde exista geração de emprego, renda e, consequentemente, influencie no desenvolvimento econômico e social do país.

“Entendemos ainda que se trata de uma substituição tributária e não uma desoneração sobre a folha apenas. A desoneração por si só pode impactar as receitas da seguridade social e afetar a população brasileira em seus direitos previdenciários”, diz Loricardo. “É importante que existam contrapartidas de emprego e garantia de sustentabilidade da previdência”, complementa o sindicalista.

Compartilhar

Veja também

O papel dos sindicatos: ‘Direitos não são obra do acaso, mas da luta dos trabalhadores’

Veja como quatro pontos da reforma da Previdência vão deixar você mais pobre

Movimentos sociais se unem contra fome na abertura da Semana Nacional da Alimentação