Metalúrgicos de Guaíba rejeitam divisão de base

Militância, com a ajuda da Brigada Militar e da Justiça, impediram fraude na votação

08/05/2014

Oportunistas da CTB são derrotados por unanimidade

O Sindicato dos Metalúrgicos de Porto Alegre, entidade com 83 anos de lutas e conquistas, fundadora da CUT, viveu nas últimas semanas uma tentativa de divisão de sua base, mais precisamente em Guaíba.

Olho grande

Por trás desta tentativa, interesses econômicos e políticos da CTB – Central dos Trabalhadores do Brasil. Afinal, a cidade cresce por conta da chegada de novas empresas e de investimentos feitos pelos governos do Estado e Federal.

Também contou o fato de a subsede construída há mais de 35 anos ter sido totalmente reformada e os dirigentes locais terem ampliado o número de associados, os serviços assistenciais, os convênios e as parcerias que hoje garantem atendimento de qualidade e formação pessoal e profissional para os traba-lhadores/as da região, entre outros avanços.

Cooptação de incompetente

Oportunista, a CTB cooptou por meios escusos um dirigente sindical metalúrgico desgastado na base por conta da sua reconhecida inabilidade política para conduzir como coordenador local a referida subsede, e financiou todo o aparato necessário para dividir de Porto Alegre aquela importante base.

Equívocos e mentiras

Em abril, os oportunistas distribuíram um manifesto assinado por uma tal “Comissão Pró-fundação do Sindicato dos Metalúrgicos de Guaíba”, contendo informações equivocadas e mentirosas sobre a base e sobre a estrutura à disposição da categoria local, mostrando total desconhecimento, escondendo dos trabalhadores/as as consequências lesivas da divisão e convocando para a noite de 6 de maio uma as-sembleia para fundar o novo sindicato.

Vergonhosa tentativa de fraude

No dia da assembleia, sabendo que o Sindicato dos Metalúrgicos de Porto Alegre já havia mobili-zado trabalhadores/as da base para comparecer e impedir o retrocesso, a CTB e a Comissão Pró-fundação colocaram desde as primeiras horas da manhã um grupo bastante grande de “bate-paus” travestidos de seguranças para barrar no pátio e no prédio do Sindicato dos Municipários (local da assembleia) a entrada de dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos de Porto Alegre e da CUT.

Sob a coordenação de dirigentes estaduais da CTB, os “bate-paus” só permitiram à tarde a vergonhosa entrada de grupos de pessoas que desembarcavam de ônibus e se dirigiam até o prédio da assembleia. Desconhecidas dos dirigentes sindicais metalúrgicos locais, as pessoas foram arregimentadas e pagas apenas para servir de atores da farsa que estava sendo montada para logo mais à noite. Ficou claro que a CTB não tinha trabalhadores para sua causa e tentava a todo custo fraudar a assembleia.

Os “bate-paus” cumpriram à risca e com muita violência o bloqueio até o meio da tarde, quando, em maior número, a militância cutista, debaixo de muita pedra, socos, ponta-pés e ameaças, conseguiu furar o bloqueio e entrar no pátio, postando-se junto à entrada do prédio da assembleia.

BM e Justiça garantem ordem e lisura

Paralelamente, as direções da CUT e do Sindicato dos Metalúrgicos acionaram a Brigada Militar (BM) para conter a violência e o Poder Judiciário para fiscalizar e conduzir a assembleia. Um oficial de Justiça determinou a identificação de todos os trabalhadores/as que participariam da assembleia, fato que decretou a retirada às pressas das dezenas de pessoas contratadas pela CTB para fraudar a assembleia. Na prática, a BM e o servidor da Justiça garantiram a ordem no local e a lisura da assembleia.

Oportunistas derrotados

A assembleia iniciou às 19 horas, com o início da identificação dos mais de 120 trabalhadores/as que enfrentaram o clima pesado da ocasião e compareceram para participar da votação, e se estendeu até as 21h30min, quando mais de 90% votou contra a fundação de um novo sindicato. Na verdade, a rejeição alcançou 100% dos presentes, pois, com a certeza de que perderiam a votação, os poucos apoiadores da CTB aptos a votar, covardemente e sob vaias, retiraram-se do local segundos antes de efetivamente manifestarem seus votos.

Agradecimentos

Após a derrota dos oportunistas, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Porto Alegre, Lirio Segalla, agradeceu a participação da militância de outros sindicatos CUTistas da região metropolitana, que garantiram a resistência à vergonhosa ação dos oportunistas e seus capangas. Também agradeceu os companheiros cipeiros e membros de comitês sindicais, que não mediram esforços para esclarecer e mo-bilizar trabalhadores/as do chão das fábricas a rejeitar a divisão da base. Por fim, agradeceu à Brigada Militar e ao Poder Judiciário, que foram sensíveis à argumentação do sindicato e da CUT, reconheceram que havia todo um processo de falta de liberdade que visava fraudar a votação e determinaram ações que garantiram a ordem no local e a lisura da votação.

Claudir Nespolo, presidente estadual da CUT, também agradeceu a militância cutista pela presença e empenho nas ações de resistência e agradeceu especialmente os trabalhadores/as que participaram da assembleia, dizendo um sonoro NÃO! à divisão. “Eles entenderam que sindicato pequeno só interessa ao patrão”, concluiu.

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