
Reivindicações de 8% de reajuste, 10% no piso salarial e vale alimentação balizam a campanha deste ano
A Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos do Rio Grande do Sul (FTM-RS) reuniu dirigentes das entidades filiadas na manhã desta quarta-feira (25), na Plenária Estadual dos Metalúrgicos da CUT-RS. A atividade aconteceu no auditório da CUT-RS, em Porto Alegre, e contou com a presença de dezenas de lideranças metalúrgicas. A definição da pauta de reivindicações da campanha salarial 2026/2027 marcou a atividade.
Com o debate, ficou definido que a pedida será de 8% de reajuste (considerando o índice da inflação do período e ganho de aumento real), 10% no piso salarial, o que elevará o valor para R$ 2.311,55 e vale alimentação conforme o custo da cesta básica em Porto Alegre, que será divulgado mais próximo da mesa de negociação.

Ainda integram a pauta cláusulas referentes a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), remuneração do 31º dia e auxílio creche, além da redução da jornada de trabalho sem redução de salário, que é uma luta nacional de toda a classe trabalhadora. A data-base é 1º de maio.
O presidente da FTM-RS, Lírio Segalla destacou que a pauta está limitada por conta do acordo do ano passado, que aprovou validade de dois anos nas cláusulas sociais. “Vamos lutar pelos índices de reajustes aprovados na plenária e mobilizar os trabalhadores da nossa base. Sabemos que a nossa conquista será determinada pela mobilização e união dos metalúrgicos do nosso estado”, afirmou.
Algumas entidades da base da FTM-RS tem data-base diferente do 1º de maio e fazem campanhas salariais separadas da Federação, embora norteadas pela mesma.

Conjuntura econômica
Antes, do debate a análise de cenários e das negociações coletivas em 2026 foi apresentada pelo economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Ricardo Franzoi, que trouxe elementos a serem levados em conta na pauta de reivindicações e nas mesas de negociação. Segundo ele, o índice do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado no começo de março, mostra crescimento e ao mesmo tempo, desaceleração. Já a indústria cresceu 1,4% em 2025, em relação a 2024. “A inflação e a taxa de juros também impactam diretamente na vida das pessoas. E a previsão de que a inflação aumente até o final do ano”, ponderou.

Considerando as perspectivas econômicas para a economia gaúcha em 2026, Franzoi destacou o cenário externo incerto, a possibilidade de recuperação da agropecuária, uma boa safra e a expansão do PIB gaúcho. Ele também divulgou que no RS, o mercado de trabalho dá sinais de acomodação, mas em nível alto. Para o economista, entre os argumentos da patronal, podem estar esse sinal de desaceleração no mercado de trabalho e que o aumento de salário pode ser um impulso para isso, já que aumentos e promoção são concedidos com base no mérito individual e resultados. “Porém, sempre há um exagero para piorar o cenário”, apontou ele.
Um destaque foi a alta da cesta básica nos últimos anos, que teve um percentual maior que os reajustes conquistados. De acordo com Franzoi, em janeiro deste ano, 53% do salário mínimo era destinado para a cesta básica na capital gaúcha. Por fim, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até 5 mil reais foi classificada como “uma baita conquista, porém ainda não sabemos como o trabalhador vai reagir e vai sentir isso no bolso.”
Combate ao feminicídio
A vice-presidente da Federação, Eliane Morfan, junto com todas as diretoras que estavam presentes na Plenária, entregou uma pauta com 21 reivindicações oriundas dos debates e trabalhos em grupo realizados no Encontro Estadual do Coletivo Gabi de Mulheres, que aconteceu nos dias 13, 14 e 15 de março. O foco principal do Coletivo Gabi é o combate ao feminicídio.

“Todos nós fomos paridos por uma mulher e a cada notícia de que uma mulher foi morta, nos dói, também morremos um pouco. Vivemos com medo. Porém, como diretoras sindicais, precisamos compreender e fazer esse debate. É necessário falar disso em casa, com nossos filhos, nos locais de trabalho, no chão de fábrica e nas mesas de negociação”, afirmou.
Eliane também chamou atenção de que os sindicatos precisam estar preparados para auxiliar as mulheres vítimas de violência doméstica. “Como entidade, precisamos saber como acolher essas trabalhadoras que são vítimas de violência doméstica. Elas também não podem ser penalizadas no trabalho. Por exemplo, imagina uma trabalhadora que sofreu uma agressão e não vai trabalhar, não pode ter desconto no seu salário nesta situação. Precisamos levar essa realidade para as mesas de negociação”, disse.

Abertura – o presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci participou da abertura da Plenária e enfatizou os desafios que estão colocados para este ano. “O movimento sindical tem importantes tarefas, precisamos realizar uma grande marcha à Brasília no próximo dia 15 e um Dia do Trabalhador em várias regiões do RS. Precisamos fazer um investimento pesado no 1 de maio, lutando com redução da jornada de trabalho sem redução de salário, fim da escala 6×1 e o combate ao feminicídio, entre outras pautas”, disse Amarildo.

Durante a atividade, também foi realizado um minuto de silencia em homenagem ao companheiro metalúrgicos, ex-presidente da CUT-RS, da FTM-RS e dos sindicatos da grande Porto Alegre e de Cachoeirinha, Jairo Carneiro.
Fonte: FTM-RS
Fotos: Luiza Alves (STIMEPA)