Ganho Real está presente em 97% das negociações coletivas do Rio Grande do Sul em 2013

Em 2013, a concentração dos ganhos salariais (63%) ficou na faixa de 1,01 pp a 2 pp acima da inflação

03/04/2014

O DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, através dos dados coletados pelo Sistema de Acompanhamento de Salários (SAS-DIEESE), divulga o balanço dos reajustes salariais de 2013.

Mantendo a tendência dos últimos anos, os reajustes salariais em 2013 lograram em sua grande maioria resultados com a presença de ganhos reais. As negociações salariais realizadas no Rio Grande do Sul revelaram que 97% das convenções coletivas de trabalho resultaram em ganho real para os trabalhadores, ou seja, fixaram índices de reajustes superiores aos percentuais necessários à reposição de perdas salariais em cada data-base. Em 3,0% dos casos, o reajuste foi igual ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo IBGE. O resultado observado foi superior ao ano anterior quando 95,5% das categorias conseguiram ganho real.

Analisando o tamanho dos reajustes acima da inflação, observamos que 18% das negociações resultaram em aumento de até 1 pp, 63% entre 1 pp e 2 pp, 15% entre 2 pp a 3 pp e 1,0% acima de 3 pp. Em 2013, a concentração dos ganhos salariais (63%) ficou na faixa de 1,01 pp a 2 pp acima da inflação, enquanto em 2012 a maior parte (40%) localizou-se na faixa superior de 2,01 pp a 3 pp acima do INPC/IBGE. A participação dos acordos acima de 3,01% da inflação também diminuiu em 2013, passando para 1% dos acordos frente aos 3% verificados em 2012.

Análise por setor econômico

• Indústria: O setor registrou em 2013, reajustes superiores ao INPC-IBGE para 97,6% das categorias analisadas. Esse resultado foi igual ao registrado em 2012.
• Comércio: Em 2013, o setor registrou 100,0% de reajustes acima da inflação acumulada, mantendo o desem-penho de 2012.
• Serviços: No ano passado, o setor registrou 90,9% de reajustes superiores ao INPC-IBGE. Esse resultado foi superior ao verificado em 2012 (81,9%).

Quanto à distribuição das negociações, a indústria é responsável por 61,2% das informações, seguida do comércio com 22,4% dos documentos e 16,4% do setor de Serviços.

Fatores que contribuíram para o resultado

1. Manutenção do desemprego no seu menor patamar;
2. Crescimento da economia gaúcha de 5,8% do PIB;
3. O maior patamar de inflação se deu no 1º semestre quando negociam categorias do setor industrial, com grande poder de mobilização.
4. Safra agrícola gaúcha: crescimento de 58,3% em 2013
5. Crescimento da Produção Industrial Física no RS em 2013: 6,8%
6. Crescimento volume de vendas no varejo ampliado no RS em 2013: 6,4%

O maior aumento real registrado na pesquisa foi observado em uma unidade de negociação do setor da Indústria com ganho de 3,33% acima da inflação, seguido por uma negociação do setor de Serviços que conquistou 2,59%. Para o conjunto dos setores, o ganho real médio das negociações salariais gaúchas foi de 1,42% em 2013, resultado inferior ao verificado em 2012 (1,85%).

As negociações coletivas acompanhadas concentraram-se nas datas-bases de março a maio (43,2%), seguidas das datas-bases novembro (13,4%) e janeiro (10,4%). Com menor concentração de negociações, verifica-se a data-base de setembro com o percentual de 1,5%.

Resultados Brasil – 2013

No ano passado, contrariando as expectativas pessimistas de parte dos analistas e agentes econômicos, o desempenho da eco-nomia brasileira resultou em um crescimento da ordem de 2,3% do PIB, contribuindo para que 87% dos reajustes incorporassem aumentos reais de salários, 7% foram corrigidos por percentual igual à inflação e 6% ficaram abaixo do INPC. O aumento real médio em 2013 foi de 1,25%.

Esse resultado revelam um recuo frente ao quadro analisado em 2012 – o melhor ano para a negociação dos reajustes salariais, de acordo com a pesquisa do SAS-DIEESE –, e proximidade ao observado em 2011.

Perspectivas para 2014

Mantido o quadro econômico atual, de inflação na data base mais baixa neste 1º semestre em comparação com o mesmo semestre do ano passado, com baixas taxas de desemprego, variável fundamental no ambiente da negociação coletiva e manutenção ou crescimento da economia, é de se esperar para 2014 que os resultados das negociações coletivas continuem favoráveis para os trabalhadores.

Fonte: Ricardo Franzói – Dieese/RS

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