Deputados de seis partidos acionam Corregedoria da Câmara para investigar Eduardo Cunha

Cunha teria se beneficiado do esquema de corrupção, recebendo US$ 5 milhões para garantir um contrato de dois navios-sonda pela Petrobras com o estaleiro Samsung Heavy Industries em 2006 e 2007

07/10/2015

Um grupo de 29 deputados de seis partidos, incluindo PT, PSOL, PPS, PSB, Rede e PMDB, entregaram nesta quarta-feira (7) na Corregedoria da Câmara dos Deputados um pedido para que as denúncias contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sejam investigadas. No documento, os parlamentares pedem que a Câmara abra uma sindicância e apure a quebra de decoro.

Henrique Fontana (PT/RS) é um dos deputados a solicitar a investigação. Para ele, há um conjunto de fatos cada vez mais sólidos que indicam uma série de ilegalidades na conduta do presidente da Câmara. “Há pelo menos uma evidência: Eduardo Cunha quando foi à CPI da Petrobras de forma açodada disse que não tinha contas no exterior. Agora, silencia diante de toda a documentação enviada ao Brasil pelo Ministério Público da Suíça”, disse Fontana ao entregar o pedido.

“Este silêncio reforça nossa suspeição. Esse tema fundamental da ética parlamentar – de não mentir no plenário e numa CPI – chama a atenção e merece ser tratado com toda a seriedade”, declarou o parlamentar em coletiva à imprensa.

Subscreveram o documento os deputados Henrique Fontana (PT-RS), Arnaldo Jordy (PPS-PA), Chico Alencar (PSOL-RJ), Edmilson Rodrigues (PSOL-PA), Glauber Braga (PSOL-RJ), Ivan Valente (PSOL-SP), Jean Wyllys (PSOL-RJ), Alessandro Molon (Rede-RJ), Eliziane Gama (Rede-MA), Aliel Machado (Rede-PR), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Chico D”angelo (PT-RJ), Júlio Delgado (PSB-MG), Wadih Damous (PT-RJ), Érika Kokay (PT-DF), Padre João (PT-MG), Assis do Couto (PT-PR), Moema Gramacho (PT-BA), Luiz Couto (PT-PB), Margarida Salomão (PT-MG), Helde Salomão (PT-ES), João Daniel (PT-SE), Paulão (PT-AL), Adelmo Carneiro Leão (PT-MG), Raimundo Angelim (PT-AC), Maria do Rosário (PT-RS), Marcon (PT-RS) e Leonardo Monteiro (PT-MG).

“Esperamos uma manifestação da Corregedoria para os próximos dias e se este tema for para a Mesa entendemos que Eduardo Cunha se considere impedido de auto-analisar uma representação que é contra ele mesmo”, aponta Fontana. O deputado acredita que partidos devem ingressar no Conselho de Ética nos próximos dias.

A representação foi apresentada ao corregedor parlamentar Carlos Manato (SD-ES), que deverá encaminhá-lo à presidência da Mesa Diretora da Câmara, comandada pelo próprio Cunha. Pelas regras do regimento, cabe ao presidente analisar os aspectos formais da representação e encaminhar um despacho de volta à Corregedoria, autorizando ou não a abertura da investigação. Se for aberta, o corregedor terá um prazo de 45 dias para elaborar um parecer e, eventualmente, enviar o caso para o Conselho de Ética.

Corrupção e lavagem de dinheiro

Cunha é investigado na Operação Lava Jato e, em agosto, foi denunciado pela Procuradoria Geral da República no Supremo Tribunal Federal (STF) sob a acusação de que teria se beneficiado do esquema de corrupção, recebendo US$ 5 milhões para garantir um contrato de dois navios-sonda pela Petrobras com o estaleiro Samsung Heavy Industries em 2006 e 2007.

Na última semana, o Ministério Público da Suíça enviou ao Brasil os autos de uma investigação sobre ele por suspeita de lavagem de dinheiro e corrupção passiva e que apontaria a existência de contas bancárias em nome dele e de parentes no país europeu. O volume de recursos encontrado é mantido em sigilo e foi bloqueado pelas autoridades suíças.

Conduta de Cunha traz prejuízos ao país

Fontana aponta as atitudes de Cunha como muito danosas para o país. “O atual presidente da casa é um oposicionista declarado em relação do governo e é dele a responsabilidade de não termos votado os vetos hoje. Ele é um dos líderes do golpe que ele prefere chamar de impeachment e usa esse processo para fazer sua auto defesa. Há um jogo e uma guerra política no parlamento que infelizmente está causando prejuízos enormes para a economia brasileira”, alertou.

Compartilhar

Veja também

STJ suspende ações que pedem correção do FGTS pela inflação

As quatro faces cruéis da terceirização

Maioria das mulheres vai se aposentar aos 74 anos, se reforma do governo Bolsonaro passar