Debate sobre feminicídios e ódio contra as mulheres pautam Encontro do Coletivo Gabi

Debate sobre feminicídios e ódio contra as mulheres pautam Encontro do Coletivo Gabi

Trabalhadoras dirigentes sindicais de entidades filiadas à Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos do RS (FTM-RS) participaram do encontro estadual de encerramento de 2025 do Coletivo Gabi de Mulheres. A atividade ocorreu durante a sexta-feira (5), no auditório da FETAR-RS, em Porto Alegre. 

A economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Lúcia Garcia falou sobre a necessidade de construir uma nova sociedade, sem o ódio as mulheres. “Há uma crise da masculinidade muito grande, com essa epidemia de ódio às mulheres, onde a ponta do iceberg são os feminicídios. Mais mulheres estão morrendo atualmente do que na época das fogueiras”, declarou. 

Para ela, o maior desafio é que muitas mulheres não se dão conta desta realidade. “Precisamos fazer com que mais mulheres liguem os pontos e percebam que são vulneráveis neste momento. Porque ainda é uma dificuldade fazer com que mais mulheres lutem contra o próprio extermínio das mulheres.”

A economista destacou que até agora foram as mulheres que estão em luta que conquistaram avanços institucionais como a Lei Maria da Penha, as delegacias especializadas, as casas de acolhimento e a recente Lei 14.611/2023, que prevê a igualdade salarial para homens e mulheres que exercem a mesma função.

“Em relação a Lei de Igualdade social, os próprios sindicatos não se deram conta do quão benéfica é essa lei para o próprio movimento sindical e não só para as mulheres, pois as empresas são obrigadas a serem transparentes e isso favorece as negociações coletivas”, enfatizou a economista.

As trabalhadoras presentes debateram o motivo de diversos avanços constitucionais não são efetivados na prática. 

A educadora popular, Lurdes Santin coordenou o Encontro e também destacou diversos avanços na legislação. “Porém, para além disso, é necessário haver avanços e mudanças na cultura. A realidade das mulheres é pautada por aspectos culturais e isso é mais moroso e trabalhoso de haver avanços do que nas leis”, ponderou ela.

Realizando trabalho em grupo, as participantes realizaram uma avaliação de 2025, com as conquistas e desafios. Elas projetaram ainda as ações para o próximo ano. Também ficou definido que o Encontro Estadual do Coletivo Gabi de Mulheres Metalúrgicas, que acontece em Cidreira (RS), será realizado nos dias 14 e 15 de março de 2026.

Fonte: FTM-RS

Fotos: Renata Machado

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