Centrais sindicais pelegas pedem fim de desonerações para negociar reforma na previdência

CUT e CTB recusaram-se a participar da reunião porque não reconhecem golpistas como governantes

17/05/2016

As centrais sindicais – com exceção da CUT e da CTB – aceitaram negociar uma reforma na previdência, desde que ela afete somente novos trabalhadores e que isenções fiscais para empresários sejam reduzidas. Este retrocesso aconteceu nesta segunda-feira, 16 de maio, quando a cúpula do governo golpista de Michel Temer se reuniu com representantes da Força Sindical, UGT, CSB e Nova Central.

O objetivo da reunião era para dizer às centrais que o novo governo ilegítimo estaria disposto a enviar uma proposta fechada de reforma previdenciária ao Congresso Nacional ainda no primeiro semestre e tornar esta reforma um dos eventuais legados da passagem de Temer pelo Palácio do Planalto. Os neo governistas afirmaram que nenhuma decisão será tomada sem a conversa com as entidades sindicais e que a reforma não pretende mexer em direitos adquiridos.

As propostas do governo de fazer uma reforma urgente na previdência e impor a idade mínima para a aposentadoria não foram bem recebidas pelos sindicalistas. Para eles, a fórmula 85/95 progressiva já resolve a questão do suposto déficit. Neste quesito, eles sugeriram discutir separadas as questões da previdência rural, que apresentou deficit superior a R$ 90 bilhões em 2015, dos problemas das previdências urbana e dos servidores públicos. Também criticaram as desonerações dadas a empresários nos últimos anos e as isenções concedidas a setores importantes, como as entidades filantrópicas e do agronegócio, que teriam elevado o suposto déficit da previdência.

No final do encontro, ficou acertada com as centrais amigas do governo golpista a criação de um grupo de trabalho para discutir as possíveis mudanças e um prazo de aproximadamente 30 dias para desenvolver uma proposta.

Como não poderia ser diferente, a CUT, com o apoio da CTB, resolveu não participar da reunião. Saiba os motivos abaixo:

“Retrocessos não se negociam. Vamos combatê-los na luta

A CUT não reconhece golpistas como governantes. Por isso, não foi à reunião que Michel Temer chamou com as centrais sindicais. A CUT vai continuar defendendo os interesses da classe trabalhadora, principal vítima do golpe, exigindo a volta do Estado do Direito e do mandato da presidenta Dilma, legitimamente eleita com mais de 54 milhões de votos. Acreditamos que a luta contra os retrocessos pretendidos e anunciados será travada pelo conjunto dos movimentos sociais nas ruas, nos locais de trabalho, na luta constante para impedir que o Brasil recue, do ponto de vista democrático, institucional e civilizatório, a décadas passadas. O respeito a todos os mecanismos e esforços da população em busca de igualdade, valorização da diversidade e acesso a políticas públicas que combatam as injustiças sociais é um valor precioso demais. E assim queremos que seja tratado.
Assina: Vagner Freitas, presidente nacional da CUT”

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