A primeira assembleia do ano na Viemar começou ainda na madrugada desta quinta-feira (19), com mobilização dos trabalhadores do 1º turno na frente da empresa. A atividade foi convocada pelo Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre para debater a falta de pagamento do Programa de Participação nos Resultados (PPR).
A situação foi apresentada pelo diretor responsável pela região, Marcelo Nascimento, que questionou a justificativa da empresa. Segundo ele, o argumento de que “2025 foi um ano perdido” não se sustenta diante da realidade vivida no chão de fábrica.
“Em 2024 tivemos o melhor PPR da Viemar. Em 2025, eles deram um jeito de tirar o PPR de vocês”, afirmou o dirigente aos trabalhadores.

“Perdido para quem?”
De acordo com a empresa, o desempenho de 2025 não teria atingido as metas previstas para o pagamento do benefício. No entanto, trabalhadores relatam que o período foi marcado por aumento de produção, investimentos em maquinário, compra de robôs e modernização da planta.
A própria Viemar se apresenta em seu site institucional como a maior fabricante nacional de peças de suspensão, direção e freios para veículos leves. Para o Sindicato, os investimentos e o crescimento produtivo demonstram que o ano não foi “perdido” para o negócio.
A crítica central é de que, enquanto a empresa ampliou sua capacidade produtiva, os trabalhadores enfrentaram mais cobrança e intensificação do ritmo de trabalho, sem a devida participação nos resultados. Além disso, outras empresas do mesmo ramo realizaram o pagamento PPR acima dos valores que vinham pagando.

Debate sobre jornada 6×1 entra na pauta
Durante a assembleia, o presidente do Sindicato, Adriano Filippetto, também abordou a importância da mobilização em torno do fim da escala 6×1.
“Muitos trabalhadores acabam caindo nesse discurso de que as mudanças vão quebrar as empresas”, afirmou.
O tema deve ganhar força no Congresso Nacional. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da redução da jornada semanal tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados e unifica iniciativas de Erika Hilton (PSOL-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG).
As duas propostas defendem a redução da jornada de 44 para 36 horas semanais, mas com modelos distintos. A proposta de Erika Hilton prevê o regime 4×3 (quatro dias de trabalho e três de descanso). Já Reginaldo Lopes propõe o modelo 5×2 (cinco dias de trabalho e dois de descanso). Nos bastidores, o deputado petista também tem defendido uma alternativa intermediária, com redução para 40 horas semanais.

Mobilização segue nos demais turnos
Ainda nesta quarta-feira, 19 de fevereiro, estão previstas assembleias com os trabalhadores do 2º e 3º turnos da empresa, contemplando todos os empregados da planta. A direção do Sindicato reforça que a mobilização busca garantir transparência nas metas do PPR e assegurar o direito à participação nos resultados.
A entidade informou que seguirá acompanhando a situação na Viemar e não descarta novas mobilizações caso não haja avanço nas negociações.
