Assembleia na Ciber fortalece campanha salarial dos Metalúrgicos e debate fim da escala 6×1

A assembleia realizada na última terça (12) em frente à Ciber, empresa do grupo John Deere, reforçou a mobilização da campanha salarial 2026 dos metalúrgicos. A atividade reuniu trabalhadores da planta para atualizar a categoria sobre o andamento das negociações salariais e ampliar o debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, pauta que vem ganhando força nas ruas e nas redes sociais em todo o país.

Durante a assembleia, o presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM-CUT), Loricardo Oliveira, destacou a mobilização nacional em defesa da redução da jornada sem redução salarial. Segundo ele, a entidade já entregou ao Congresso Nacional abaixo-assinados em defesa da pauta.

“Fomos ao Congresso Nacional entregar os abaixo-assinados ao presidente da Câmara, Hugo Motta, para reforçar a necessidade de discutir a redução da jornada de trabalho sem redução de salário. Vivemos em um país continental e, se olharmos os demais países da América Latina, a maioria já trabalha com jornadas de 40 horas”, afirmou.

Loricardo também relacionou o tema ao acordo entre União Europeia e Mercosul, apontando que a expectativa é de crescimento da produção industrial e das exportações brasileiras, especialmente no setor de máquinas agrícolas.

Já o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Adriano Filippetto, alertou para a resistência patronal nas negociações da campanha salarial. “A gente entende que o trabalhador merece um reajuste muito maior. Mesmo assim, o sindicato patronal não vai querer conceder nem isso. Nesta quinta-feira teremos a primeira rodada de negociação e sabemos que, diante do debate sobre redução da jornada, eles não vão querer dar sequer a inflação”, afirmou.

O trabalhador da Ciber, diretor do sindicato e membro da rede Deere, Helder Dias, destacou que a planta de Catalão já opera com jornada reduzida de 42 horas semanais, questionando por que o mesmo modelo ainda não foi estendido às demais unidades da John Deere.

“Catalão é a única planta no Brasil que já tem jornada reduzida. Eles trabalham 42 horas semanais. A gente se pergunta qual é a dificuldade para ampliar essa carga horária reduzida para as demais plantas da John Deere”, declarou.

Helder também criticou mudanças em benefícios oferecidos aos trabalhadores e alterações no fornecimento do café da manhã na empresa. Segundo ele, a categoria precisa permanecer atenta à retirada gradual de direitos e benefícios.

“Quando é para reduzir benefício, as mudanças acontecem rapidamente. São questões que parecem pequenas, mas fazem diferença no dia a dia do trabalhador”, afirmou.

Ao final da assembleia, a direção sindical reforçou a convocação da categoria para acompanhar as negociações da campanha salarial. A primeira reunião com o sindicato patronal e a Fiergs está marcada para esta quinta-feira (14). Os trabalhadores também rejeitaram, em votação, a proposta apresentada pela comissão do PPR, avaliando que ainda há margem para avançar nas negociações com a empresa.

Compartilhar

Veja também

Dia 18 de abril: CUT vai às ruas de todo o país para cobrar do governo resposta à pauta dos trabalhadores

Região metropolitana de Porto Alegre registra em janeiro a menor taxa de desemprego desde 1992

Ministro nega fim da multa do FGTS por demissão

Circulam nas redes notícias sobre mudanças no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço que prejudicariam os trabalhadores, classificadas como fake news