Cláusula prevê diálogo entre Sindicato e empresa para adoção de medidas como trabalho remoto e compensação de jornada em situações que tornem inseguro o deslocamento
Um acordo firmado entre trabalhadores da FuelTech e a empresa incorporou uma cláusula específica para situações de eventos climáticos excepcionais. A medida é um dos primeiros resultados concretos do debate realizado no Seminário “Mudanças Climáticas e o Mundo do Trabalho”, promovido no dia 4 de setembro por entidades sindicais e organizações parceiras.
Segundo Alex Souza, diretor responsável pela região onde está localizada a FuelTech, o acordo foi fechado após a realização do seminário e já contempla a preocupação com os impactos de eventos climáticos sobre o deslocamento e a segurança dos trabalhadores.
A cláusula estabelece que, em situações como enchentes, alagamentos, temporais, emergências ou calamidades que comprovadamente impeçam ou tornem inseguro o deslocamento do empregado até o local de trabalho, Sindicato e empresa deverão conversar e buscar medidas para minimizar os prejuízos.
Entre as alternativas previstas estão o trabalho remoto, a compensação de jornada e outras medidas que permitam preservar a segurança dos trabalhadores e, ao mesmo tempo, possibilitar a continuidade das atividades da empresa.
A inclusão da cláusula ocorre em um contexto em que eventos climáticos extremos passaram a representar também um desafio para as relações de trabalho. Em
Porto Alegre, a própria FuelTech enfrentou os impactos da enchente de 2024, quando precisou adotar medidas para proteger equipamentos e estoques diante do risco de inundação.
Em junho de 2025, durante um novo período de elevação do Guaíba, a empresa voltou a adotar medidas preventivas, elevando equipamentos, retirando veículos e preparando uma estrutura provisória para manter a produção em outro andar da fábrica.
A unidade da FuelTech fica no bairro Anchieta, Zona Norte de Porto Alegre.

Mudanças climáticas e relações de trabalho
A inclusão da cláusula no acordo ocorre poucos dias após o seminário que reuniu especialistas, trabalhadores metalúrgicos, dirigentes sindicais e estudantes para discutir os impactos das mudanças climáticas sobre o mundo do trabalho.
Para o movimento sindical, a experiência demonstra a necessidade de antecipar situações de emergência e estabelecer, por meio de negociações coletivas, critérios que garantam segurança aos trabalhadores diante de eventos extremos.
O acordo da FuelTech também se soma a outras iniciativas que começam a incorporar o tema às negociações coletivas. Na pauta de reivindicações 2026/2027 do SINPACEL, por exemplo, foi incluída uma proposta específica para situações de enchentes, alagamentos, temporais, calor extremo e outros eventos climáticos excepcionais.
A discussão sobre mudanças climáticas, assim, começa a ganhar espaço não apenas nos debates ambientais, mas também nas negociações que tratam diretamente das condições de trabalho, da saúde e da segurança dos trabalhadores.
Foto: Thales Renato