A crise econômica e sanitária, agravada pela pandemia do coronavírus, vem causando dezenas de milhares de mortes em todo o mundo

A CUT orienta a realização de campanhas de solidariedade, mediante a arrecadação de recursos, para a compra e a distribuição de cestas básicas

08/04/2020

A crise econômica e sanitária, agravada pela pandemia do coronavírus, vem causando dezenas de milhares de mortes em todo o mundo. Para preservar os empregos e os salários de trabalhadores e trabalhadoras, vários países têm adotado medidas de proteção à saúde, com investimentos públicos, como condição fundamental para salvar a vida das pessoas, derrotar o Covid-19 e assegurar a devida recuperação da economia após a pandemia.

No Brasil, na contramão das necessidades da classe trabalhadora e das iniciativas bem sucedidas em outros países, o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) publicou, no último dia 1º de abril, a Medida Provisória (MP) nº 936, que prevê a redução de jornada e salários de 25%, 50% e 70% por até três meses, o que poderá levar milhares de famílias à fome, à pobreza e ao desemprego.

Se o Congresso Nacional aprovar a MP 936 sem alterar o texto, quem ganha a partir de R$ 1.100 até o teto do INSS (R$ 6.101,06) sofrerá queda de 5% a 49%, dependendo da faixa salarial e da redução de jornada.

A CUT e as centrais sindicais já estão recorrendo aos deputados e senadores para mudar a MP 936, que deveria proibir demissões e garantir 100% dos salários. Os trabalhadores não podem pagar a conta da crise!

Na verdade, Bolsonaro e o ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes, estão protegendo somente os interesses do sistema financeiro e das multinacionais, que deveriam ser taxados para garantir, por exemplo, o pagamento de equipamentos de proteção à saúde e a ampliação dos hospitais para o atendimento da população.

A CUT defende o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), através da revogação da Emenda Constitucional (EC) nº 95/2016, e a manutenção dos empregos e direitos, propondo:

– Estabilidade no emprego para todos os trabalhadores e trabalhadoras;

– Manutenção de 100% dos salários para garantir o poder de compra e os adequados recursos para que as famílias possam atravessar essa crise;

– Garantia do preceito constitucional e da democracia de que os sindicatos devem participar de todos os processos de negociação que envolvem os direitos dos trabalhadores;

– Prorrogação do seguro desemprego e isenção de tarifas de água, luz, telefone e internet para desonerar os trabalhadores dessas despesas;

– Garantia de segurança e proteção aos trabalhadores que continuam exercendo suas atividades, em especial quem atua em atividades essenciais com a distribuição de Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs), álcool em gel, produtos de higiene, etc;

– Pagamento imediato do auxílio emergencial de R$ 600 a R$ 1.200 para trabalhadores informais, desempregados e de baixa renda, conforme lei aprovada no Congresso Nacional, após pressão das centrais sindicais.

A CUT orienta todas as entidades filiadas a esclarecerem aos trabalhadores, para não aceitem qualquer negociação individual, e busquem junto às empresas e representações patronais a negociação coletiva como forma de proteger os empregos e os direitos trabalhistas.

Além disso, a CUT orienta a realização de campanhas de solidariedade, mediante a arrecadação de recursos, para a compra e a distribuição de cestas básicas de alimentos saudáveis, em parceria com as organizações da agricultura familiar, e kits com produtos de higiene para as famílias mais vulneráveis na periferia das cidades.

O que é inaceitável e vergonhoso é a chantagem de federações empresariais e movimentos de direita, fazendo inclusive carreatas, pressionando governador e prefeitos para flexibilizar as atividades suspensas e retomar a economia, colocando em risco a saúde e a vida de milhões de gaúchos e gaúchas.

Apesar da quarentena e do isolamento social, seguindo recomendação das autoridades sanitárias e de saúde, vamos continuar protestando nas janelas contra o governo Bolsonaro, que só retira direitos da classe trabalhadora, não cuida da saúde e ameaça a vida, a democracia e o futuro do povo brasileiro.

É preciso também construir um novo modelo econômico, pois o projeto neoliberal fracassou, como denunciamos desde que surgiu nos EUA. Só com Estado forte, investimentos públicos em saúde e educação, e tributação das grandes fortunas, será possível garantir um país com emprego decente, crescimento econômico, distribuição da renda, justiça social e vida digna para todos.


Porto Alegre, 8 de abril de 2020.

Compartilhar

Veja também

CNI quer tirar acidentes no trajeto do cálculo de risco de trabalho

Indústria gaúcha tem segundo maior crescimento do país em junho, diz IBGE

CUT lança Plataforma para as Eleições 2012