Nova rodada de negociações acontece no dia 25 de junho; trabalhadores defendem reajuste acima da inflação e valorização dos salários
A campanha salarial dos metalúrgicos do Rio Grande do Sul entrou em uma nova fase no último dia 18 de junho, quando representantes da Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos do RS e do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico e Eletrônico do Rio Grande do Sul (SinMetal), ligado à FIERGS, voltaram à mesa de negociação.
Pela primeira vez nesta campanha salarial, houve uma sinalização concreta de avanço nas tratativas. Segundo Diego Cardoso, Secretário Geral do Sindicato, que tem acompanhado as negociações, a movimentação ocorreu após a intensificação das mobilizações nas portas das fábricas e a pressão exercida pela categoria em diversas regiões do estado.
Para o presidente do Sindicato, Adriano Filippetto, a negociação precisa garantir aumento real para os trabalhadores, mantendo pelo menos o mesmo patamar conquistado na campanha salarial do ano passado.
Em 2025, após uma década sem ganhos reais nos salários, os metalúrgicos conquistaram um reajuste de 6,5%, sendo 1,18% de aumento real acima da inflação. Na ocasião, o piso salarial teve reajuste de 8,08%, alcançando R$ 2.002,00, além da renovação das cláusulas sociais por dois anos, garantindo direitos até 2027.
A conquista veio após uma forte mobilização da categoria. O sindicato patronal defendia apenas a reposição da inflação e ainda apresentava propostas que atingiam direitos históricos dos trabalhadores. A resistência organizada nas fábricas e a participação nas assembleias foram decisivas para alterar o rumo das negociações.
O que está em disputa em 2026
Na primeira proposta apresentada pelo sindicato patronal neste ano, o reajuste seria limitado à reposição do INPC, de forma parcelada: 2,11% em junho completando 4,11% em outubro. A proposta foi rejeitada pelos representantes dos trabalhadores.
O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), calculado pelo IBGE, mede a variação dos preços de produtos e serviços consumidos por famílias com renda de até cinco salários mínimos. O índice é utilizado como referência para a correção dos salários, mas não representa ganho real. Ou seja, apenas recompõe parcialmente as perdas provocadas pela inflação.
Para os dirigentes sindicais, a categoria precisa avançar além da simples reposição inflacionária. A reivindicação dos trabalhadores inclui aumento real nos salários e reajuste de 10% no piso da categoria.
Patronato alega impacto da redução da jornada
Durante as negociações, representantes patronais têm argumentado que a redução da jornada de trabalho representará custos adicionais para as empresas, limitando a possibilidade de conceder reajustes maiores. Segundo os sindicatos patronais, esse seria um dos motivos para não atender a reivindicação de reajuste próximo dos 8% defendidos pelos trabalhadores.
Para os dirigentes sindicais, entretanto, os argumentos utilizados pelos empresários se repetem a cada campanha salarial. Já foi a pandemia, depois a enchente. Sempre existe uma justificativa para negar um aumento digno aos trabalhadores, enquanto os lucros seguem sendo preservados”, avalia Adriano Filippetto.
Para Helder Dias, diretor sindical do STIMEPA e trabalhador da CIBER, outro ponto que não podemos abrir mão é o piso da categoria, que já apresenta uma defasagem em relação ao piso regional.
Próxima rodada
A próxima rodada de negociação está marcada para quinta-feira, dia 25, às 10h. A expectativa dos trabalhadores é que o encontro apresente avanços concretos e aproxime as partes de um acordo que garanta valorização salarial e reconhecimento da importância da categoria para a indústria gaúcha.
Enquanto isso, os sindicatos reforçam a importância da participação dos trabalhadores nas mobilizações e assembleias, destacando que os avanços conquistados historicamente sempre foram resultado da organização e da unidade da categoria.