Ato reuniu mais de uma centena de pessoas no centro de São Paulo e reforçou pautas como o fim da escala 6×1, redução da jornada de trabalho e combate à LGBTQIA+fobia
Escrito por: Redação CUT | texto: André Accarini
Ahead/CUT

O centro histórico de São Paulo mais uma vez foi palco de um ato político, cultural e de luta por direitos trabalhistas. A 2ª Marcha Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras LGBTQIA+ da CUT reuniu mais de uma centena de pessoas nesta sexta-feira (5), em uma mobilização marcada pelo espírito de resistência, afirmação de direitos e valorização da diversidade da classe trabalhadora. Com concentração na Praça Roosevelt e caminhada até a Praça Ramos de Azevedo, em frente ao Teatro Municipal, o ato ocupou a região para defender trabalho digno, democracia e o combate a todas as formas de discriminação.
Colorida por bandeiras, cartazes, faixas e balões da CUT e de entidades sindicais, a marcha combinou manifestações culturais, apresentações artísticas e palavras de ordem em defesa da população LGBTQIA+. O ambiente festivo refletiu a diversidade dos participantes, mas sem perder o caráter de luta que marcou toda a atividade.
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Encontro do Coletivo da CUT
A mobilização integrou a programação do 7º Encontro Nacional do Coletivo LGBTQIA+ da CUT, que se encerra neste sábado (6). Durante três dias, dirigentes sindicais e militantes de todo o país debateram organização sindical, mercado de trabalho, combate à discriminação e estratégias para ampliar a participação da população LGBTQIA+ nas estruturas sindicais. O encontro será encerrado com a participação da CUT na Parada do Orgulho LGBTQIA+ de São Paulo, em um bloco especial da Central.
Neste ano, a marcha ampliou o debate sobre as condições concretas de vida da classe trabalhadora LGBTQIA+. Entre as principais pautas defendidas estiveram o fim da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, o combate à LGBTQIA+fobia nos ambientes de trabalho e a defesa do trabalho decente para todas as pessoas.
Outro eixo importante da mobilização foi o fortalecimento dos sindicatos como espaços permanentes de acolhimento, proteção e organização política da população LGBTQIA+. Para os participantes, as entidades sindicais têm papel fundamental na defesa de trabalhadores e trabalhadoras que enfrentam discriminação, assédio e exclusão no mercado de trabalho.
A marcha também reafirmou a defesa da democracia, da liberdade de manifestação e do direito à ocupação dos espaços públicos. Nesse contexto, os participantes manifestaram repúdio ao Projeto de Lei nº 50/2025, que busca impor restrições à realização da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de São Paulo. Para as lideranças presentes, a proposta representa um ataque às liberdades democráticas e ao direito de organização e expressão da comunidade.
Além das reivindicações relacionadas ao mundo do trabalho, o ato reforçou a defesa dos direitos civis e sociais da população LGBTQIA+, combatendo iniciativas que tentam restringir sua visibilidade e participação política. A mensagem levada às ruas foi a de que a diversidade sexual e de gênero não pode ser dissociada das condições de vida da classe trabalhadora e da luta por inclusão social.
Durante a concentração da marcha, o secretário nacional LGBTQIA+ da CUT, Walmir Siqueira, destacou a importância da mobilização para enfrentar a violência e a discriminação.
“Agora nós vamos brigar por dignidade do trabalho contra a LGBTQIA+fobia, para que a gente tenha uma sociedade digna, democrática, em que a gente possa participar da sociedade e viver em sociedade sem ser assassinados”, afirmou.
Ao relacionar a luta contra a discriminação à garantia de direitos básicos, o dirigente acrescentou que a a luta é por “direito à educação, saúde, emprego digno e tudo que nós temos direito, como qualquer outro cidadão deste país.”
Walmir também ressaltou o papel da organização sindical na construção da luta. “Essa marcha é para isso – para mostrar que nós, trabalhadores e trabalhadoras organizados, estamos na luta contra a LGBTQIA+fobia”, declarou.
Cultura e visibilidade
A programação cultural foi outro destaque da atividade. A apresentação da drag queen e ativista Salete Campari mobilizou os participantes e reforçou a relação histórica entre arte, cultura e resistência LGBTQIA+. O ato também contou com apresentações de artistas como Renan Mattos e Athena Joy.
Ao longo do percurso, lideranças sindicais de diferentes ramos e entidades se revezaram em falas que destacaram a importância de fortalecer a organização coletiva para enfrentar a discriminação e ampliar direitos. A presença de sindicatos e federações de diversas categorias reforçou o compromisso do movimento sindical com a construção de ambientes de trabalho mais inclusivos e livres de preconceito.
Realizada pela segunda vez consecutiva, a Marcha Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras LGBTQIA+ consolida-se como uma iniciativa da CUT para dar visibilidade às pautas da população LGBTQIA+ dentro do movimento sindical e fortalecer a luta por direitos, democracia, igualdade e trabalho digno para todas as pessoas.