Os trabalhadores da Soluções Usiminas, localizada na zona norte de Porto Alegre, rejeitaram a proposta apresentada pela empresa relacionada à mudança na jornada de trabalho e às negociações da campanha salarial da siderurgia. A decisão foi tomada em assembleia no dia 15 de maio, organizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre (STIMEPA), que reuniu trabalhadores e dirigentes sindicais para debater os rumos da negociação coletiva.
Participaram da atividade os diretores sindicais Adriano Filippetto, presidente do sindicato; Helder Dias, diretor de comunicação e trabalhador da Ciber; Alex Souza, diretor regional e trabalhador da S&P; além dos trabalhadores da Soluções Usiminas Rockson Silveira, Guilherme Rosa Batista e Adilson Tavares, que também atua como tesoureiro do STIMEPA.
A negociação teve início ainda no dia 17 de abril, quando os trabalhadores aprovaram a pauta de reivindicações da campanha salarial da siderurgia. Entre os principais pontos defendidos pela categoria estão a equiparação de benefícios entre as unidades do grupo, criação de vale-alimentação, pagamento de um adicional de fim de ano no ticket alimentação e redução dos descontos de vale-transporte e alimentação.
A pauta também inclui o pagamento de um abono de R$ 2 mil em forma de ticket, sem descontos, além da reposição das perdas inflacionárias com base no INPC. Outro tema debatido durante a assembleia foi o fim da escala 6×1 e a redução da jornada sem redução salarial.

A proposta rejeitada
Durante a nova assembleia, foi votada uma proposta que previa a adoção da chamada “jornada espanhola”, com trabalho em sábados alternados em troca de compensações financeiras. Segundo o sindicato, houve questionamentos sobre a votação anterior do modelo, já que trabalhadores que não atuariam aos sábados também participaram da decisão, o que teria gerado irregularidades no processo.
A proposta da empresa incluía:
• manutenção da jornada com alternância de sábados;
• pagamento de R$ 1 mil de abono em vale somente para os trabalhadores da nova jornada;
• criação um vale-alimentação no valor de R$ 400mensais;
• pagamento de R$ 400 adicionais no final do ano no vale-alimentação.
A proposta foi rejeitada por 55% dos trabalhadores, enquanto cerca de 44% votaram a favor. Segundo a empresa, o atual cenário econômico é considerado difícil, o que limitaria avanços maiores nas negociações.

Sindicato aponta insatisfação dos trabalhadores
O presidente do STIMEPA, Adriano Filippetto, destacou durante a assembleia a importância do debate sobre redução da jornada de trabalho e lembrou que a última grande redução ocorreu ainda no período da Constituinte.
Filippetto afirmou que o sindicato possui dois caminhos de atuação: a luta sindical, incluindo possibilidade de greve, e a atuação jurídica. “A gente coloca a proposta e os trabalhadores decidem, a decisão final é deles”, afirmou o dirigente.
Rockson Silveira avaliou que o resultado da votação demonstra o descontentamento da categoria. “O resultado mostrou a insatisfação do trabalhador, com tudo o que vem acontecendo aqui. Redução tem aos montes, benefícios para o trabalhador é zero. Então acho que o resultado mostrou para a empresa a insatisfação que nós temos aí”, declarou.
Já Guilherme Rosa Batista afirmou que o momento agora é de buscar alternativas. “E agora, vamos trabalhar para ver o que a gente consegue melhorar. Agora o nosso papel é trabalhar”, disse.
Adilson Tavares reforçou que a decisão dos trabalhadores será respeitada pelo sindicato. “A decisão dos trabalhadores nós temos que respeitar”, afirmou.
Próximos passos
Após a rejeição da proposta, o sindicato deverá convocar uma nova assembleia para discutir os próximos passos da mobilização. Entre as possibilidades estão o ingresso de ações judiciais ou a construção de uma greve.
“O melhor caminho é a luta, agora precisa ver a disposição dos trabalhadores de lutar”, declarou Adriano Filippetto.
Alex Souza, dirigente sindical responsável pela região da empresa também alertou que, sem acordo coletivo, benefícios previstos na proposta podem deixar de existir em eventuais processos futuros.